A economia mundial como um todo e nosso setor em particular criam oportunidades para o nascimento de uma verdadeira potência regional no campo de localização na América Latina. Com preços, geografia, economia e recursos atraentes, os fornecedores de tradução e localização não podem perder a oportunidade de criar uma atmosfera de colaboração e mostrar a seus clientes no hemisfério norte que o espanhol latino-americano e o português do Brasil podem finalmente se tornar um grupo linguístico por si só, um que seja representativo dessa região.

Em 2009, a economia global sofreu tantos reveses que parecia que tudo estava entrando em colapso. No entanto, uma outra revolução já vem se estabelecendo há alguns anos: as economias emergentes, principalmente os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), entraram na arena global para desempenhar um papel muito mais importante do que aquele que lhes era delegado há algumas décadas. O mais surpreendente é que as superpotências do hemisfério norte estão hoje em uma situação muito mais complicada que o Brasil, por exemplo. Esse gigante eternamente promissor que, por décadas, foi louvado por políticos, economistas e pelo povo brasileiro em geral como “o país do futuro” apenas recentemente começou a cumprir suas profecias messiânicas.

Em uma entrevista recente à BBC Brasil, Jim O’Neill, diretor de pesquisas econômicas globais do Goldman Sachs e criador do termo BRIC, disse que “há uma grande desaceleração em todo lugar. Mas se olharmos as contribuições para o consumo global, veremos que os BRICs foram as únicas economias que fizeram uma contribuição positiva.. O Brasil, como tem sido demonstrado por esta crise, conta com uma estrutura macroeconômica que fornece uma ótima base em termos de política econômica.” CMOs de grandes corporações parecem concordar com as previsões de O’Neill. Em março de 2009, eles se reuniram em São Paulo para a Conferência Global de Anunciantes. Simon Clift, Chief Marketing Officer (CMO) da Unilever, disse que “por enquanto a economia brasileira está saudável e a crise não bateu tão forte aqui”. Ele também observou que o Brasil é um dos poucos países a alavancar a receita da empresa para um novo patamar. A concorrência parece concordar. Segundo Bernhard Glock, vice-presidente de comunicação e mídia global da Procter & Gamble, “aqui há um grande potencial de crescimento”. Apesar da queda de 3,6% no PIB brasileiro para o ano, anunciado na mesma semana em que ocorreu o evento, as empresas multinacionais não tinham suspendido seus planos de investimento no país, pois acreditavam que o mercado brasileiro era um dos poucos que não tinha sofrido tanto impacto negativo com a crise. “No Brasil, continuamos contratando e as nossas metas ainda são de um crescimento de dois dígitos nas vendas”, disse Steve Rusckowski, vice-presidente executivo e CEO da Philips Healthcare.

Segundo o economista Márcio Aith, diretor executivo de economia da revista Veja, uma das maiores e mais reconhecidas publicações brasileiras, há alguns motivos para os brasileiros estarem otimistas com a possibilidade de sobreviver à crise mundial de 2009 com apenas alguns arranhões — e com grande chance de emergir em 2010 com um crescimento robusto:

  1. Reservas de 200 bilhões de dólares intocadas seis meses após a explosão da crise
  2. Bancos competentes e regulados com baixa exposição a riscos
  3. Ausência de bolhas de crédito e imobiliária, com alto potencial de crescimento nesses setores
  4. Mercado interno forte e com um crescente poder de compra
  5. Matriz energética mais “verde” do mundo, já que o país não depende mais de petróleo importado
  6. Estabilidade política, com a democracia entronizada como patrimônio nacional
  7. Estabilidade econômica; arcabouço regulatório imperfeito mas previsível
  8. Maior exportador de alimentos, garantindo volumes de vendas externas em qualquer situação
  9. Mercado externo diversificado, com compradores em todo o mundo; produtos e commodities com crescente valor agregado
  10. As mesmas projeções que apontam para uma estagnação no exterior preveem crescimento do PIB do Brasil em 2009

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