Relação econômica entre China e Brasil

Professor de geografia conta como a China se tornou uma grande potência. Brasil é um dos principais exportadores de produtos para o país asiático.

Todos os dias, o comércio no Centro do Recife ferve, com um intenso movimento de pessoas à procura de mercadorias. Muitos desses produtos encontrados nas lojas foram fabricados na China, um dos principais países do continente asiático. O professor de geografia Evandro Costa fala sobre uma das maiores potências econômicas do mundo e as relações com o Brasil na reportagem exibida nesta quarta-feira (15) pelo Projeto Educação.

A China é considerada a segunda maior economia do planeta, com um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de oito trilhões de dólares. “A China conseguiu se desenvolver nos últimos anos, principalmente se voltando para a produção de produtos industriais, que, em geral, são produzidos com tecnologia baixa e, por consequência, apresentam também valor inferior”, diz o docente.

Para essa produção, mão de obra não falta: são mais de um bilhão e 300 milhões de pessoas no país, se configurando como a maior população economicamente ativa do mundo com quase 800 milhões de trabalhadores.

“Isso acaba fazendo com que as empresas que se instalem no país tenham possibilidade de pagar salários mais baixos e isso tudo vai fazendo com que haja um aumento na capacidade de produção. É produzir mais, com custos mais baixos”, detalha Evandro.

De acordo com o professor, a China hoje domina a venda de produtos industrializados ao redor do mundo, superando grandes economias, como os Estados Unidos, o Japão e a Alemanha. Ao mesmo tempo também, ela também se transformou no segundo país em termos de importação. “A China só compra menos em volume do que o próprio Estados Unidos. Então isso é um indicativo de que sua economia é muito grande e há uma necessidade muito grande de aquisição de matérias-primas para elevar a produção e aumentar a quantidade de produtos exportados”, conta.

O crescimento da economia chinesa veio com o passar dos anos. No final dos anos 1970, o país se configurava como uma economia de base primária, e a maior parte da sua população trabalhava na produção de arroz nos campos. “A partir do governo do presidente Deng Xiaoping, a China começa a se abrir para o mercado e receber uma grande quantidade de investimentos estrangeiros. Esses investimentos começam a se localizar em cidades litorâneas que passam a ser chamadas de zonas econômicas especiais”, explica o professor.

O Brasil é um dos principais exportadores de produtos para a China. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, no ano passado, foram 46 bilhões de dólares em vendas, um crescimento de 10,8% em relação a 2012. Os chineses também lucram vendendo para o mercado brasileiro: foram mais de 37 bilhões de dólares no ano passado, registrando uma alta de 8% se comparado a 2012.

“A China vende uma grande quantidade de produtos industrializados para o Brasil, produtos eletroeletrônicos, máquinas, ferramentas, tecidos. Esses elementos apresentam valor agregado muito mais elevado. Em contrapartida, o Brasil vende, predominante, produtos
primários, que, por consequência, apresentam valor agregado mais baixo, tais como soja, minério de ferro, petróleo”, acrescenta Evandro.

Ainda de acordo com o professor, essa diferença de produtos exportados faz com que, na relação entre os dois países, a China pareça ser mais desenvolvida do que o Brasil, mas os dois países se estruturam como economias emergentes. “Embora o Brasil exporte, predominantemente, produtos primários para a China e eles importem para nós a maior quantidade de produtos industrializados, o volume de exportação brasileira é tão elevado que faz com que o saldo resultante nessas transações comerciais seja positiva para o Brasil”,
pontua.

Endereço de site:

http://g1.globo.com/pernambuco/vestibular-e-educacao/noticia/2014/10/relacao-economica-
entre-china-e-brasil-e-tema-da-aula-desta-quarta-15.html